Projetos em Andamento

Antonella Tassinari. Transmissão de Saberes e Produção da Memória: a Antropologia e os Povos Indígenas do Oiapoque. Projeto de Produtividade em Pesquisa Nível 2. CNPq. 2012-2015.

Descrição: O projeto visa analisar processos de transmissão de saberes e de produção da memória entre povos indígenas das Terras Baixas da América do Sul, em sua relação com as pesquisas antropológicas desenvolvidas sobre eles. A hipótese central a ser investigada propõe que os processos nativos de transmissão de saberes, assim como vem sendo analisado sobre o parentesco e os mitos indígenas da América do Sul, estruturam-se a partir de uma abertura para o outro (Lévi-Strauss 1993), no sentido da dependência da exterioridade para a reprodução do mesmo. Esta hipótese pressupõe que o recorte relativo à exterioridade a ser inserida nas redes locais de transmissão de saberes é contingencial e relacionado aos contextos sócio-culturais específicos de estabelecimento de identidades e alteridades (conforme Overing 2002), incluindo outros relativos às estruturas locais de parentesco (afins mais ou menos distantes), outros cosmológicos (mortos, espíritos, animais e, talvez, crianças) ou relativos às redes extra-locais (outros grupos indígenas e populações não-indígenas, organizações governamentais e não-governamentais). A análise terá como objeto as populações indígenas do vale do rio Uaçá (localizado no norte do estado do Amapá, Brasil), em especial os Karipuna e Galibi- Marworno, que vêm sendo pesquisados pela autora desde 1990. Pretende-se analisar a relação entre os processos nativos de transmissão de saberes e a organização social desses grupos e como vêm se articulando com as pesquisas antropológicas ali desenvolvidas nos últimos 20 anos (Codonho 2004). Terão especial atenção como espaços de produção da memória o Museu Kuahí (Vidal 2001, 2008) e o curso de Licenciatura Indígena da UNIFAP. Pretende-se comparar esse contexto etnográfico específico com informações disponíveis na literatura etnológica sobre as Terras Baixas da América do Sul a respeito de formas nativas de produção e transmissão de conhecimentos, incluindo pesquisas sobre escolarização.

 Edviges Ioris. Reafirmação Étnica e Territorial na Região do Baixo Rio Tapajós. FASE IV: História, Disputas Territoriais, Reservas Ambientais e Representações Xamânicas. Projeto de Pesquisa vinculado ao Departamento de Antropologia.

O projeto de pesquisa estuda os processos de ressurgimento de identidades indígenas que recentemente tem se configurado na Amazônia. Especificamente, a pesquisa enfocará o movimento que se processa entre os grupos que se localizam na região do baixo rio Tapajós, nos municípios de Santarém e Belterra, estado do Pará. Este movimento de emergência étnica foi precipitado em finais da década de 1990, quando vários grupos iniciaram um processo de retomada de antigas referências culturais indígenas, reconhecendo-se como pertencentes a diferentes etnias que, até então, eram consideradas extintas na região, como Arapiuns, Maytapu, Tapajós, Tupaiú, Borary,Tupinambá, Cara-Preta, Arara Vermelha, e Munduruku.  Parte destes grupos indígenas encontra-se em áreas cujos territórios sofrem sobreposição dos limites de duas reservas de proteção ambiental (Floresta Nacional do Tapajós e Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns), e outra parte em áreas designadas para assentamentos agrários (Glebas Nova Olinda e Lago Grande). Aplicando a noção de “territorialização”, este estudo examinará como esta retomada das antigas tradições e de pertencimentos étnicos conforma disputas territoriais na produção dos espaços ao mesmo tempo em que responde um chamado “xâmanico”, em torno do qual estes grupos têm se organizado e demarcado as fronteiras que, no contexto local, os distinguem dos não indígenas. Com base em levantamentos de campo e documentos históricos, esta proposta de pesquisa dá continuidade aos estudos já desenvolvidos anteriormente, que abordam esse processo entre grupos que se encontram nas áreas das duas reservas ambientais, ampliando, assim, a compreensão deste fenômeno de emergência étnica para toda a região do baixo rio Tapajós. Este estudo contribuirá significativamente para pensar a produção das identidades indígenas na Amazônia, especialmente, entre estas populações cujas organizações socioculturais foram fortemente impactadas sob os efeitos da colonização, assim como as formas de permanência do sentimento e das referências étnicas. Neste sentido, trará uma enorme contribuição também para repensar a produção etnográfica e as representações que têm sido projetadas sobre elas, que, de forma geral, tenderam a eclipsar continuidades de qualquer forma de existência sociocultural diferenciada. Neste contexto, trará contribuição, ainda, para elucidar a sua relação com os processos de produção dos espaços nas definições e implantações de reservas ambientais.

Iniciação Científica

João Carlos Correa Neto. Compreensões Antropológicas sobre Conhecimentos Nativos: um diálogo em rede. Início: 2012. Orientação: Antonella Tassinari

Mestrado

Thiago Arruda Ribeiro dos Santos. Indígenas no sul do país e as hidrelétricas. Início: 2013. Orientação: Edviges Ioris.

 

Doutorado 

Alexander Cordovés Santiesteban. Políticas de Educação Escolar em Cuba: limites e possibilidades de inclusão. Início: 2013. Orientação: Antonella Tassinari.

Edilma do Nascimento J. Monteiro-  A CONSTRUÇÃO DO SABER ENTRE AS CRIANÇAS CALON: UMA ETNOGRAFIA SOBRE A EDUCAÇÃO E PROCESSOS DE APRENDIZAGEM CIGANA NA PARAÍBA.

Melissa Santana de Oliveira. Construindo corpos, manejando transformações: benzimentos da pessoa entre os tukano do Tiquié, Alto Rio Negro. Início: 2011. Orientação: Antonella Tassinari

Silvia Beatriz Mendonça. Relações de gênero, conflitos ambientais e territorialidade na comunidade pesqueira do Araçá, em Porto Belo/SC.  Edviges Ioris.