Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional
Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional
19 e 22/06/2026 – Sala Silvio Coelho dos Santos (110 – Bloco B – CFH)
Organização: Antonella Tassinari e Diógenes Cariaga
Se a célebre premissa da “sociedade contra o Estado” de Pierre Clastres iluminou a recusa à centralização do poder coercitivo como eixo da ação indígena, as etnografias mais recentes sobre o Brasil Meridional nos convidam a alargar esse horizonte. Este seminário propõe explorar o caráter profundamente ativo e reflexivo da ação política dos povos Kaingang, Laklaño/Xokleng e Guarani (Mbyá, Avá e Kaiowá), cujas trajetórias transbordam a mera resistência institucional. Sob a ótica das Diplomacias Ameríndias e da Cosmopolítica, o que se pretende debater são estratégias e alternativas que os coletivos articulam, como as redes de parentesco, o manejo do território e a diplomacia xamânica como relações de negociação com o Estado e com a alteridade (humana e não-humana). O objetivo da atividade busca mapear as estratégias e alianças vitais que, ao articularem a recusa política e a composição cosmo-ontológica, garantem a autonomia e o bem-viver desses povos frente às persistentes ameaças coloniais e territoriais que os cercam.
PROGRAMAÇÃO:
19/06/26 (sexta-feira)
13:30hs – Roda de conversa
A ação política ameríndia no Brasil Meridional: pesquisas em andamento no PPGAS/UFSC
Alecxander Brandão: “É possível transformar a soja novamente”: a reconstrução do território Tekoha Guasu Guavira por meio do movimento de retomada territorial do povo Ava Guarani
Ana Maria Ramo y Affonso: “Interculturalidades alterantes e seus possíveis”
Celita Antunes: “Araguydje, um olhar feminino sobre as quatro cerimônias Guarani e a busca pelo novo tempo”
Bruna Yoyapyrê da Silva: Kunhangue’i oguapy’i regua’i: cuidados na primeira menstruação
16hs – Contrapontos amazônicos
Paulo Roberto Ferreira: “Ação Política Huni-Kuin: articulando xamanismo, escolarização e patrimonialização”
Rivelino Barreto: “A política do bem-viver indígena: o que pensam, o que pensamos”
17:00 – Palestra
Diógenes E. Cariaga – Mundéu/UEMS/CNPq – PPGAnt/UFGD, pesquisador do INCT Brasil Plural
Regimes da “Não-Troca”: financeirização da natureza e da terra nos territórios Kaiowá (Guarani)
Nas últimas décadas, o avanço de commodities agrícolas nas bacias dos rios Dourados e Amambai impactou profundamente os modos Kaiowá de existência, agravando a espoliação iniciada no século XX, quando o Estado alienou suas terras tradicionais como devolutas. Após ciclos de extrativismo e pecuária que exploravam a mão de obra indígena nas fazendas sobrepostas ao território de habitação tradicional – tekoha, desmatamento, seguido pela mecanização da agricultura, forçaram as famílias ao confinamento nas reservas do SPI. As disputas fundiárias subsequentes asfixiaram suas redes de troca, produção e circulação econômica, gerando severa vulnerabilidade alimentar. O foco desta comunicação é provocar o debate sobre o conceito etnográfico da recusa ameríndia, destacando a potência relacional das ontologias ameríndias frente às imposições e temporalidades modernas.
22/06/26 (segunda-feira) – 14:30hs sala 110 do bloco B do CFH:
Banca de defesa de dissertação de mestrado de Débora Laã Priprá
A intervenção do Estado e a transformação das lideranças Xokleng: história, território e resistência
Banca: Antonella Tassinari (orientadora), Edviges Ioris, Joziléia Kaingang, Diógenes Cariaga. Suplentes: Rivelino Barreto, Flávio Wiik



