Núcleo de Estudos de Populações Indígenas
  • Começa o abril indigena na UFSC com exposição do premiado artista indígena Jaider Esbell

    Publicado em 04/04/2017 às 13:32

     

    O MArquE – Museu de arqueologia e etnologia da UFSC recebe no período de 11 a 29 de abril, a exposição de arte indígena contemporânea It was Amazon/Era uma vez Amazônia. A mostra é uma provocação voluntária do premiado artista indígena Jaider Esbell do povo Makuxi, do estado de Roraima. A itinerância passará por todo o Brasil ao longo de mais de 3 anos e Santa Catarina é o nono estado a receber a exposição que teve inicio no nordeste, em 2016. O artista recebe convidados para abertura com ritual no dia 11/04 às 16h no hall principal do museu. Durante o período o artista faz agenda visitando comunidades, escolas e no dia 19 [local e horário será informado] realizará uma fala aberta na UFSC.
    A Exposição – reúne em 16 obras várias realidades amazônicas que na compreensão do artista devem estar na agenda comum que tratam questões centrais sobre sustentabilidade. Com desenho em preto e branco, mostra e artista já foram vistos por milhares de pessoas gerando ressonância que extrapolam todas as fronteiras do conceitos chaves. Arte, Amazônia, indígena, sustentabilidade, feitos locais/globais são temas de diálogos amplos que somam-se a resistências e sinalizam para a urgência de uma nova política com o índio, seus saberes e expectativas. No campo central das artes, a mostra é parte da força que rompe as fronteiras do desconhecimento sobre o índio no pensamento maior da atualidade brasileira e do mundo.

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    Jaider Esbell – 38 anos. Artista multimídia, escritor e produtor cultural. Índio Makuxi da Reserva Raposa Serra do Sol em Normandia-RR. Vive desde os 18 anos na capital Boa Vista onde mantém uma galeria de arte indígena contemporânea. Jaider foi premiado pela FUNARTE/Minc em 2010. Como artista plástico foi vencedor do Premio PIPA online em 2016. Vive profissionalmente da arte desde 2010. Em 2013 foi convidado a dar aulas e fazer exposição no Pitzer College nos Estados Unidos onde permaneceu por oito meses. As exposições itinerantes não são patrocinadas e não fazem parte de editais. As articulações são realizados por meio de redes sociais entre artistas e atores do meio e visam proporcionar o máximo de atividades interativas em cada passagem. A permanência do artista é custeada por recursos próprios e a hospedagem é oferecida por voluntários, uma forma de gerar trocas culturais espontâneas. Em Florianópolis o artista faz residência na coletivo artístico NACASA e permanece até o dia 02/05.

    Serviço: Exposição It Was Amazon/Era uma vez Amazônia
    Artista: Jaider Esbell Makuxi – RR
    Local: MArquE – UFSC – Hall central
    Abertura: Terça-feira, 11/04 16h
    Período: 11 a 29/04
    Horário de visitação: terça a sexta, das 9h às 17 sábados, das 13 às 17h (exceto feriados).
    Contato com o artista es.b@hotmail.com 95 999592025


  • Nota de repúdio e pesar pelo assassinato do cacique Antonio Mig Claudino

    Publicado em 21/03/2017 às 17:19
    Lamentamos profundamente o assassinato do Cacique da Terra Indígena Serrinha (Ronda Alta/RS), Antonio Mig Claudino, ocorrido na noite de 20 de março de 2017.
    Manifestamos nossa indignação, revolta e inconformidade com mais este ato brutal de violência contra as populações indígenas, que infelizmente tem se repetido no Brasil.
    Antonio Mig Claudino esteve presente na UFSC em várias ocasiões, participando de atividades acadêmico-científico-culturais da Licenciatura Intercultural Indígena, enquanto liderança indígena e pai da acadêmica Adriana Claudino.
    Como divulgado na página da Licenciatura Indígena da UFSC: “seu nome Kaingang – MIG – traduzido como Tigre (Onça) revela sua força e determinação. A mesma que todos devemos ter a cada dia diante do difícil contexto relacionado aos povos indígenas no Brasil”.

     


  • NEPI inicia as atividades de 2017 com os seminários semanais

    Publicado em 21/03/2017 às 15:35

    Todas as segundas-feiras, das 14 às 16 horas, ocorrem os seminários do NEPI, na sala 313 do Bloco D do CFH, com a discussão de textos de autoria dos membros da equipe e convidados.
    As atividades tiveram início em 2005, com o Ciclo de Discussões de Pesquisas e Experiências em Educação Indígena, e tiveram continuidade nos anos seguintes, abarcando várias temáticas relacionadas às pesquisas desenvolvidas no núcleo: identidade étnica, territorialidade, educação indígena, cosmologias indígenas, ações afirmativas, entre outras.
    Os seminários semanais são uma boa ocasião para estudantes de Ciências Sociais desenvolverem atividades relacionadas à disciplina Prática de Pesquisa. Também são abertos para demais pessoas interessadas, nos níveis de graduação e pós-graduação.


  • Experiências de Formação de Professores Indígenas: México e Brasil

    Publicado em 07/10/2016 às 14:53

    O NEPI e a Licenciatura Intercultural Indígena organizam na próxima segunda-feira, 10 de outubro, a Mesa-Redonda:

    Rogério Correia da Silva (professor da Faculdade de Educação da UFMG): “A experiência da FIEI – Licenciatura em Formação Intercultural de Educadores Indígenas da UFMG”

    Julieta Briseño Roa (doutoranda no Departamento de Investigaciones Educativas, CINVESTAV, México): “A experiência de formação de professores para as Secundarias Comunitarias Indígenas em Oaxaca”

    Quando: 15:15 hs, dia 10/10/2016

    Onde: sala 304 do EFI – 3º Piso


  • NEPI compartilha manifesto de professores e estudantes de antropologia da UFSC

    Publicado em 13/06/2016 às 11:14

     

    Manifestação coletiva antropologia


  • NEPI participa de mesa na Programação Antropologia e Cidadania

    Publicado em 13/06/2016 às 11:11


    Mesa Antropologia e CidadaniaParticipantxs:
    -Profa. Raquel Mombelli-PPGAS/UFSC
    -Txulunh Laklãno-Xokleng – Estudante Nutrição/UFSC
    -Helena Jucelia Vidal de Oliveira – Remanescente do Quilombo Vidal Martins.
    -Profa Maria Dorothéa Post Darella – MarquE/UFSC
    -Profa Antonella Tassinari -PPGAS/UFSC


  • Antropologia, Poder e Direitos Tradicionais: a CPI investiga a FUNAI e o INCRA

    Publicado em 05/04/2016 às 10:21

    NEPI convida:

     

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    O Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC) está promovendo o Seminário Antropologia, Poder, e Direitos Tradicionais: A CPI que investiga a FUNAI e INCRAque se realizará no Auditório do CED (UFSC), nos dias 07 e 08 de abril de 2016. O Seminário faz parte programação inaugural do semestre 2016-1, denominada Antropologia, Poder, Conhecimentos e Direitos Tradicionais: Embates na academia e no Congresso Nacional, e visa abordar o conhecimento antropológico produzido na UFSC (Programação I – 14-17/03/2016), e os argumentos presentes na justificativa para instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a FUNAI e INCRA, em relação aos processos de regularização fundiária que realizam, respectivamente, para indígenas e comunidades remanescentes de quilombo (Programação II – 07-08/04/2016)*.

     

    *Texto retirado da página do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – UFSC (http://ppgas.posgrad.ufsc.br/).

     


  • III Encontro Nacional de Estudantes Indígenas

    Publicado em 25/09/2015 às 15:25

    Acesse a programação aqui.


  • Programação da 9ª Primavera dos Museus – Museus e Memórias Indígenas (MArquE)

    Publicado em 23/09/2015 às 11:04

    A programação:

     

    9 Primavera dos museus - programação.


  • Carta Aberta de Servidores da FUNAI: Conflito Fundiario no Mato Grosso do Sul

    Publicado em 03/09/2015 às 13:48
    Cumprimentando-os(as) cordialmente, servidores e servidoras da Fundação Nacional do Índio lotados(as) no Estado do Mato Grosso do Sul, vimos, por meio desta, explicitar nossa indignação frente aos últimos acontecimentos tocantes ao conflito fundiário no MS. Provavelmente, o termo “conflito” não seja o mais apropriado para descrever o que aqui se passa, pois os contornos são de um franco massacre étnico. Como é internacionalmente sabido, a gravidade dos impasses na resolução da situação fundiária no Estado se arrasta há décadas, com alarmante foco na região do Cone-Sul, onde estão as etnias Guarani Ñandeva e Kaiowá, local designado como a Faixa de Gaza brasileira, dado o ultrajante cenário de violação de direitos sofridos por aquelas minorias étnicas.
    No último sábado, vinte e nove de agosto, presenciamos mais um brutal ataque contra os Kaiowá e Ñandeva em processo de retomada de seus territórios tradicionais, no tekoha Ñande Ru Marangatu, localizado no município de Antônio João, área que se encontra homologada desde 2005, com o processo paralisado no STF.
    Conforme relataram os próprios indígenas, por meio de denúncias publicadas na página do Aty Guasu nas redes sociais, o atentado foi orquestrado e executado por lideranças ruralistas do município tendo à frente a Srª Rozeli Ruiz Silva, presidente do Sindicato Rural de Antônio João, esposa do ex-prefeito do município, cuja família é titular de áreas que incidem sobre o território reivindicado pelos indígenas. Rozeli e sua filha, a advogada Luana Ruiz Silva, vêm, há tempos, promovendo uma campanha de calúnias contra os indígenas, à Funai e a organizações indigenistas, culminado agora com a divulgação de boatos que davam conta de que os indígenas tomariam de assalto e ateariam fogo à cidade. Tais absurdas acusações têm o claro propósito de instaurar o pânico e incitar a população de Antônio João contra os Guarani Kaiowá, como se já não fosse suficiente o forte sentimento de preconceito e ódio étnico direcionado aos indígenas na região.
    Tendo sido acompanhado por autoridades políticas estaduais, a investida da parte dos ruralistas resultou em vários indígenas feridos e no óbito de Semião Vilharva, Kaiowá, vinte e quatro anos, atingido na cabeça por projétil de calibre vinte e dois. Contrariando as acusações disseminadas em veículos de mídia locais de que os indígenas estariam armados e até a fantasiosa hipótese de que teriam recebido treinamento em táticas de guerrilha por parte do Exército Popular Paraguaio (EPP), não há relatos de fazendeiros ou capangas que tenham sido feridos. Assim como ocorreu com os assassinatos de Marçal de Souza, morto há trinta e dois anos no mesmo tekoha, da nhandesi (rezadora e líder religiosa) Xurete Lopes, dos irmãos Rolindo e Genivaldo Vera, do cacique Nísio Gomes e de tantas outras lideranças ao longo das últimas décadas, tememos que mais este crime permaneça impune. Lembramos que, embora haja acusações de ambos os lados, havia pessoas armadas, o simples porte de armas é ilegal e já geraria prisão, e mesmo com viaturas e efetivo do DOF, PM e Força Nacional não houve a prisão de nenhum infrator da lei mesmo com vítimas fatais.
    Há cerca de dois meses, ataque semelhante ocorreu contra os indígenas em situação de retomada no tekoha Kurusu Ambá, município de Amambai. Registros audiovisuais mostram fazendeiros arremetendo suas camionetes em direção aos indígenas, com a patente intenção de atropelá-los. O acampamento onde os Kaiowá se encontravam foi totalmente incendiado, dezenas de indígenas foram feridos e duas crianças desapareceram.
    No mesmo dia do ataque, colegas da Coordenação Regional de Ponta Porã, CR à qual são jurisdicionadas as áreas acima mencionadas foram ameaçados por fazendeiros e capangas em frente às suas residências, cena que deixa evidente o quadro de insegurança extrema em que se encontram os(as) servidores(as) do órgão no MS.
    Dias após o atentado, uma viatura da Funai que transportava indígenas ao possível local do desaparecimento das crianças, acompanhada por agentes da Força Nacional, foi truculentamente abordada por fazendeiros e impedida de seguir seu trajeto. Os mesmos agiram com imenso desrespeito frente aos agentes da FN, bradando gritos de “fora”, “saiam da nossa propriedade”, atos que, se oriundos de indivíduos de camadas sociais menos favorecidas, certamente teriam gerado resposta bem mais severa por parte do aparelho de segurança do Estado. O ocorrido pode ser assistido em registro audiovisual feito pelos próprios fazendeiros e publicado na internet.
    Há dois anos, a Coordenação Regional de Campo Grande atravessou situações semelhantes às agora enfrentadas pela CR de Ponta Porã. Durante a execução da reintegração de posse nas fazendas reivindicadas como território tradicional pelos indígenas Terena da TI Buriti, ação executada pela Polícia Federal com o reforço da Polícia Militar, o indígena Oziel Gabriel, trinta e dois anos, foi fatalmente alvejado por projétil de arma de fogo. O uso da força policial na operação foi flagrantemente desproporcional, tendo havido inclusive a detenção de indígenas gestantes, idosos e menores de idade, no momento em que, após a operação, estes tentavam retornar a pé para suas aldeias.
    O corpo de Oziel foi submetido às pressas ao exame de necropsia e, nessa perícia foi apontado que a bala teria atravessado seu corpo, mas, a camisa que Oziel utilizava e que teria comprovado que a bala não teria de fato atravessado seu corpo sumiu. Seu corpo foi embalsamado com tanto formol que destruiu qualquer vestígio que ajudaria numa prova de balística, comprometendo a idoneidade de instituições como o hospital municipal e o instituto médico legal de Sidrolândia que receberam o corpo e deram o tratamento para liberar o corpo para enterro à família em tempo recorde em se tratando de morte por crime violento. Foi solicitado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e por insistência da Presidência da Funai, um Perito designado pela Polícia Federal veio diretamente de Brasília para fazer uma Necropsia com mais cuidado e mais afinco para que se pudesse apontar o real assassino do Oziel, já que em um caso de uma reintegração de posse tão desastrosa resultando uma morte o Estado deveria se responsabilizar.
    Mas em um processo de mais de 1000 laudas não se aponta culpados. A imprensa local noticiou o caso de forma inteiramente parcial, como de costume, com a franca intenção de culpabilizar e criminalizar os indígenas, atingindo o ápice do desrespeito e desumanidade ao afrontar a família e amigos de Oziel, em pleno velório do mesmo, com uma cópia do mandado de reintegração de posse, apenas para obter mais manchetes desfavoráveis à comunidade e à sua luta pela terra.
    Nos dias subsequentes, outro indígena da comunidade sofreria um atentado à vida. Josiel Gabriel, primo de Oziel, foi alvejado por capangas dos fazendeiros, ficando tetraplégico em decorrência do ferimento. Crime pouco investigado, criminosos impunes.
    Ainda naquele ano, no mês de novembro, a Coordenação Regional passou um dos momentos mais tensos e violentos de sua história. Às oito horas da manhã do dia dezenove, a CR foi invadida por dezenas de ruralistas, em ato orquestrado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS). Os fazendeiros ou mais visivelmente, seus empregados, desde o início proferiam diversas ofensas morais e palavras de baixo calão contra as servidoras e servidores, os indígenas e o órgão agindo todo o tempo com a truculência que lhes é habitual, causando inclusive danos materiais ao prédio. Até mesmo insultos de cunho sexual foram proferidos contra as servidoras mulheres que aqui estavam. Adotamos postura apaziguadora e urbana, como compete a servidores públicos no exercício de sua função, embora em claro momento de desacato, não obtendo, todavia, o arrefecimento dos ânimos. O andar térreo do prédio foi ocupado e servidores encurralados ao longo de toda a manhã. Um indígena que estava presente foi vítima de uma tentativa de agressão física por parte de um fazendeiro. Contatada, a Polícia Federal alegou que não enviaria efetivo para salvaguardar a integridade física dos servidores, pois se tratava de um “protesto pacífico”. Não foi o que testemunhamos. Apenas dois policiais militares foram deslocados para intervir na situação e quando chegaram ao local, preocuparam-se em ouvir a versão dos invasores em primeiro lugar e solicitaram aos servidores que ficassem calados passivos às agressões.
    Já neste ano, na cidade de Miranda, um fazendeiro e dono de um supermercado local atirou contra o indígena Terena Jolinel Leôncio da Aldeia Mãe Terra, quando este retornava do trabalho na roça junto com seus irmãos.
    Toda essa violência, sob a forma física ou simbólica, já é uma constante em MS. Os métodos de propaganda da elite rural via mídia estendem sua influência hegemônica sobre a opinião de parte da população comum do estado, portanto não proprietária de títulos, que acaba por reproduzir esse discurso de ódio e preconceito aos índios e funcionários de órgãos de estado que trabalham com as populações indígenas, reforçando atitudes que negam direitos originários ao seu território, direitos consagrados nos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988 e demais direitos de cidadania que lhes são fundamentais.
    A impunidade recorrente sobre tais violências já é tão notória que as redes sociais transbordam de discursos ameaçadores que falam em morte de indígenas, surras a servidores da FUNAI e do CIMI e seus autores não se preocupam em nenhum momento em esconder seus rostos ou identidades, pois sabem que não haverá nenhuma punição e acham de total legitimidade o que acreditam ser suas meras opiniões, principalmente quando acham que simples fato de declarar que não se trata de “índios mas paraguaios” é argumento legitimo para negar cidadania e dignidade a um ser humano.
    O conjunto de todos os fatos acima narrados, além daqueles que aqui foram omitidos para não nos repetirmos excessivamente, demonstram o quanto a omissão do Estado brasileiro junto a essas populações, associado ao sucateamento e desmonte da estrutura da FUNAI, deixam os indígenas do Mato Grosso do Sul em situação de extrema vulnerabilidade.
    Essa situação está longe de ser resolvida com uma simples mudança na legislação, com uma reunião ou uma mesa de negociação. A irresponsabilidade de governos de décadas, da falta de estrutura ética e moral dentro dos aparelhos de Estado para lidar com uma diversidade étnica e cultural carente de cidadania em extremo caso de vulnerabilidade social à mercê de graves casos de violência urbana, do tráfico de drogas e tráfico humano nas fronteiras, das mais terríveis mazelas da pobreza e da miséria só vai se resolver com sérios e longos investimentos em programas na infância de crianças que convivem com sangue, suicídio, ódio de classes, fronteiras sem leis de uma comunidade que há várias gerações não tem futuro.
    O esgotamento de todas as instâncias jurídicas, o sucateamento e inércia das instâncias executivas e a morosidade das instâncias legislativas das esferas municipais, estaduais e federais em resolver as mazelas sociais enfrentadas pela segunda maior população indígena da República Federativa Brasileira, em um dos estados que apresenta os maiores índices de homicídio e suicídio das populações indígenas do mundo levará inevitavelmente a um julgamento por crime contra a humanidade em instâncias internacionais, e essa tragédia foi e é anunciada em gritos sufocantes e sufocados pelo movimento indígena, por movimentos sociais criminalizados, e por nós servidores muitas vezes calados pela natureza estatal da Fundação.

    Com profunda tristeza e pesar,

    Servidores da FUNAI, de Campo Grande – Mato Grosso do Sul.